QE sem fim

Há pouco mais de uma semana, saiu o tão esperado “Jobs report”. Segundo ele, o número de empregos criados no mês de
junho nos EUA foi de 288 mil, um número muito acima do esperado. Claro, mais um vez não podemos olhar os detalhes desse relatório, senão  acabamos descobrindo que ele foi, na verdade, muito pior do que o esperado.

Além disso, segundo o mesmo relatório, a taxa de desemprego caiu para 6.1%. Essa queda não ocorreu porque mais gente foi empregada, mas porque mais gente saiu do mercado de trabalho. A participação no mercado de trabalho caiu para o menor nível dos últimos 35 anos, 62.8%.

Dos empregos criados no mês de junho, 275 mil foram part-time e apenas 13 mil foram full-time. Assim, quando o governo anuncia que foram criados 288 mil empregos, na verdade, ele está somando o número de empregos part-time criados aos empregos full-time.

Imagina o que aconteceria se o governo reportasse somente os empregos full-time líquidos: iríamos ver a destruição de mais de 500 mil empregos no mês de junho. Imagina como o mercado receberia essa notícia: ao invés do Dow estar batendo recordes acima de 17.000 pontos, sabemos exatamente para qual direção ele iria.

Como já vimos falando há bastante tempo, não há recuperação nenhuma na economia e o Dow está subindo, simplesmente porque há uma quantidade imensa de dinheiro novo entrando na economia. Sim, o QE está sendo reduzido, mas ainda é criado do nada mais US$45 bilhões todo mês. A taxa de crescimento do dinheiro na economia desacelerou, mas continua crescendo. As ações estão subindo, porque o dinheiro está perdendo valor contra ativos reais. E o Dow a 17.000 pontos está em um nível mais baixo do que estava no ano 2000, se descontada a inflação.

Como há anos dizemos, somos contra qualquer política de estímulos. Estamos há seis anos convivendo com juros zero e compra de bônus de hipotecas e do governo sem que nada tenha mudado – a não ser o tamanho do pepino que vamos ter que encarar. Se essa política fosse funcionar, já teria funcionado. Se a economia norte-americana estivesse mesmo saudável como dizem os economistas, ela não precisaria de juros zero e estímulos.

E por que há tantas empresas demitindo funcionários full-time e contratando part-time? Como várias empresas já declararam, elas querem sair do enquadramento no Obamacare. Obviamente, o emprego part-time remunera bem menos e tem menos benefícios que um emprego full-time. E muitas dessas pessoas que estão perdendo o emprego full-time estão voltando para a mesma empresa que  as demitiu e também procurando outros empregos para conseguir pagar as contas. Assim, um emprego full-time é destruído e são criados dois empregos part-time, que agregam menor valor para a sociedade.

Mas isso não importa para o departamento de estatística do governo. Eles computam esse emprego full-time
perdido e dois part-time ganhos, e contabilizam como se houvesse sido criado um emprego no geral.

A economia não está vibrante, não está crescendo. Se a economia estivesse crescendo, estaria gerando vagas full-time e outros tipos de empregos, não de garçons, zeladores, copeiros, etc. Isso, sem considerar que é uma tarefa árdua manter uma família, pagar uma hipoteca, trocar o carro, etc. com um emprego part-time.

Na semana anterior havia saído o número do PIB dos EUA – e o número foi péssimo por sinal. Houve uma contração
do PIB de 2.96%, que acabaram arredondando para 2.9%. Se pelo menos o arredondamento tivesse sido feito corretamente, viríamos uma queda de 3%. Claro, a culpa toda foi do inverno. Isso, apesar desse inverno não ter sido o mais frio da história dos EUA; mas, definitivamente, foi um dos piores em resultado do PIB. A única coincidência que notamos foi que o PIB começou a sofrer depois que o FED iniciou o corte do QE – isso, sim, impactou o PIB
norte-americano.

A culpa não é do clima, a culpa é de uma reestruturação enorme que está ocorrendo na economia norte-americana,
uma mudança de empregos full-time para empregos part-time e uma mudança de empregos que pagam bem para aqueles que pagam mal.

A inflação acumulada nos EUA nos últimos 12meses acabou de passar dos 2% (2.1%) e a taxa de desemprego (de
acordo com o cálculo deles) reduziu para 6.1%. Como sabemos, o ponto a partir do qual o FED declarou que iria começar a elevar a taxa de juros seria quando a taxa de desemprego chegasse a 6.5% ou a inflação passasse de 2%. Claro, as duas marcas foram atingidas, mas não há nenhuma possibilidade do FED subir a taxa de juros. Caso o FED o fizesse, veríamos o quão fugaz é essa dita recuperação da economia.

Agora que já chegamos à marca de 2% de inflação, os Bancos Centrais estão tentando convencer a população de que
um pouco de inflação é bom – não é! A inflação faz com que todos percam poder de compra e reduzam seu padrão de vida. O grande debate na Europa é sobre uma possível deflação e seus efeitos perversos na economia.

Ninguém gostaria de ver uma deflação – já imaginou se as coisas que compramos caíssem de valor e nós pudéssemos comprar mais? Que coisa horrível… O grande exemplo que temos é o setor de tecnologia. Um telefone celular custava cerca de US$5.000 há alguns anos e o custo da ligação era proibitivo. Poucas pessoas tinham acesso a essa tecnologia. Hoje dispomos de celulares muito mais modernos (que até fazem ligações) por uma fração do preço e o número de usuários disparou. Um exemplo de que a deflação é saudável e aumenta a qualidade de vida da população.

Infelizmente, não vemos um final feliz para essa política expansionista. Com a impressão desenfreada de dinheiro
e o aumento nas liberações de crédito, reforçamos nosso conselho de proteção aos investidores: manter uma boa parte do patrimônio em ativos líquidos (CDBs, LCAs, LCIs, etc.) e em ativos reais geradores de renda. Tentar ganhar um pouco mais parece uma estratégia bem perigosa e pouco lucrativa, como catar moedas à frente de um trator.

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