Bernanke diz adeus

A última sexta-feira marcou o fim do período de Ben Bernanke como presidente do FED nos EUA.

Ao contrário do que quase todos pensam, a missão de Bernanke não foi cumprida com louvor. Na nossa opinião, o
ex-presidente do FED foi o segundo pior presidente na história, ganhando apenas de sua sucessora, Janet Yellen – assim como a turma do Prêmio Nobel da Paz, vamos premiar antecipadamente à Yellen pelo que achamos que ela vai fazer.

Voltando à performance de Bernanke à frente do FED, achamos seu passado um tanto quanto fraco. Para alguém que se dizia profundo conhecedor da crise de 1929, e um estudioso no caso Japão, achamos que ele cometeu os mesmos erros, porém em escala extraordinariamente maior.

Sua política de juros zero e a compra de títulos do Tesouro norte-americano e de hipotecas, alimentaram uma
alta nos preços dos ativos – imóveis, bônus e ações – sem nenhum lastro na economia real.

A ideia do FED era de fazer com que as pessoas achassem que estão mais ricas porque seus ativos estão valorizados.
Assim, mais pessoas iriam utilizar esses ativos valorizados como colateral para novas dívidas voltadas para o consumo. Isso faria com que a economia girasse e o crescimento reaparecesse.

Realmente os preços dos ativos estão subindo nos EUA – aliás, no mundo inteiro. Isso favorece exclusivamente
os ricos, que detém uma proporção enorme de ativos. Porém, a impressão de dinheiro desenfreada, faz com que o dinheiro perca o seu valor, ou se preferir, que tudo custe mais. Com isso, a população menos favorecida arca com um custo de vida elevado, sem ativos para compensar essa alta. Como já dito inúmeras vezes, esse é um programa que apesar de funcionar por algum tempo, é moralmente errado e está fadado ao fracasso no médio/longo-prazo.

Bernanke sai do FED deixando para trás um balanço altamente inflado (acima de US$3 trilhões), um programa de recompra de bônus que ainda está aumentando esse balanço todos os dias ($65 bilhões por mês), uma inflação alta de quase 10% aa (vamos usar dados empíricos, não os maquiados e publicados pelo governo) e um grande desafio para
seu sucessor: como retirar os estímulos sem fazer com que a taxa de juros suba? Isso sim será algo para ver. Quem conseguir essa proeza realmente merece um Prêmio Nobel.

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