Em setembro de 2018, escrevi um artigo para o InfoMoney intitulado “Cannabis: só doidão investe”. Nele, falava sobre a Tilray, empresa do setor de cannabis que era a queridinha do mercado.

Na época, suas ações eram negociadas a quase US$300 e a empresa tinha um valor de mercado de US$20 bilhões. Mencionei que o valuation da empresa estava na estratosfera e que ela estava sendo negociada a um inacreditável múltiplo de 555 vezes sua receita – múltiplo extremamente alto, até mesmo para uma empresa de tecnologia.

Disse ainda que o mercado de cannabis é um mercado de crescimento por vários motivos, mas que a empresa estava superavaliada e que isso raramente significa bons retornos à frente. Hoje as ações da empresa valem na bolsa pouco mais de US$3 e a capitalização de mercado é de US$1,7 bilhão, ou seja, uma queda de mais de 90% no valor de mercado e de quase 99% no preço da ação.

Passados alguns anos, voltei a olhar para o setor, porém estou vendo uma oportunidade boa demais para deixar passar. O mercado continua crescendo – ele mais que triplicou de lá para cá – e novos usos e produtos estão sendo desenvolvidos. Apesar disso, os valuations das empresas estão nas mínimas históricas – e isso, para mim, significa oportunidade.

Risco é algo difícil de se mensurar, mas definitivamente não concordo com a definição adotada pela maioria dos bancos e corretoras. Segundo esses agentes financeiros, risco tem sido encarado simplesmente como uma medida estatística de volatilidade, normalmente desvio-padrão. Prefiro uma abordagem prática de risco como sendo a chance de se perder dinheiro no longo-prazo.

Acredito que a chance de se perder dinheiro no investimento em cannabis no momento é muito baixa. Tendo dito isso, é importante frisar que a maioria absoluta das empresas do setor perde dinheiro e vai desaparecer, mas algumas empresas se destacarão e crescerão ainda mais – é importante selecionar bem e fazer um due diligence meticuloso nos potenciais alvos de investimento.

Esse texto não constitui uma recomendação de investimento. Nenhuma decisão deve ser tomada com base nas informações aqui contidas.

O autor está engajado na compra de ativos de cannabis para carteira proprietária e/ou de clientes sob sua gestão.

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