Por que seu sucesso foi irrepetível — e o que os investidores devem fazer em vez disso
Hoje marca o fim de um capítulo extraordinário da história dos negócios: Warren Buffett, o icônico “Oráculo de Omaha”, deixa o cargo de CEO da Berkshire Hathaway após 60 anos à frente da companhia.
Ouvi falar de Buffett pela primeira vez logo após começar a trabalhar no mercado financeiro, em 1996. Naquela época, quase ninguém no Brasil sabia quem ele era, embora já fosse famoso no mundo inteiro.
Seu estilo de investimento era extremamente atraente, especialmente para um jovem no início da carreira, e eu via muitas semelhanças com a forma como eu pensava sobre os mercados. Li tudo o que pude sobre Warren Buffett e recebi uma de suas biografias em 1998. Vale lembrar que a internet ainda engatinhava, e havia pouquíssima informação disponível no Brasil sobre o Sábio de Omaha.
Buffett demonstrou desde cedo uma paixão por negócios e investimentos, além de um talento natural para isso. Estudou com o pioneiro dos investimentos Benjamin Graham e, posteriormente, voltou a Omaha para construir sua própria carreira.
Em 1965, assumiu o controle de uma combalida empresa têxtil, a Berkshire Hathaway — um dos maiores erros de sua carreira financeira, se não o maior — e a transformou em um dos conglomerados mais bem-sucedidos do mundo, com participações em seguros, bancos, ferrovias, utilities e marcas icônicas como a Coca-Cola.
Aprendi muito com Buffett e posso dizer que uma das coisas mais difíceis para um investidor é evitar o que ele chamava de “imperativo institucional”, que frequentemente leva ao pensamento de manada. O foco foi, de longe, a lição mais importante para mim, e foi assim que construí minha carreira. A capacidade de pensar de forma independente é fundamental neste negócio.
Hoje, muitas pessoas se dizem o “Buffett da Espanha”, o “Buffett do Brasil” ou o “Buffett da China”. É importante refletir com cuidado sobre esse tipo de afirmação. Tentar ser Warren Buffett hoje não fará a carreira de ninguém. Simplesmente não é possível.
A maioria dos hedge funds fracassa nos dois primeiros anos, não necessariamente por maus resultados, mas porque a concorrência é feroz e o desempenho precisa ser extraordinário para que sobrevivam tempo suficiente para construir uma reputação.
Além disso, o tipo de investimento praticado por Buffett era perfeitamente adequado à sua época — um período em que havia muitas barganhas, pouca competição e mercados se movendo praticamente em uma única direção. Buffett tinha a mentalidade e as habilidades certas para aquele ambiente.
O mérito é inteiramente dele. Identificou o melhor mentor, tornou-se o melhor discípulo e perseverou apesar de ter sido rejeitado muitas vezes. Quando sua abordagem original deixou de ser suficiente, ouviu seu sócio e mudou o foco para negócios de alta qualidade, em vez de empresas medianas. Ele também merece crédito por ter se associado a alguém como Charlie Munger e por reconhecer a necessidade de se adaptar à medida que os mercados mudavam.
Por isso, não acredito que haverá outro Buffett. Foi preciso uma pessoa, em condições únicas, com intelecto e disciplina extraordinários, no momento perfeito, na principal economia do mundo, durante um período de crescimento sustentado.
Todos temos muito a aprender com Warren Buffett, e sou grato por suas cartas e reflexões. Mas tentar replicar seu modelo não funcionará. Cada investidor precisa compreender suas próprias capacidades, forças e fraquezas, reconhecer o ambiente em que atua e definir seu próprio estilo de investimento.
George Soros, Stanley Druckenmiller, Ray Dalio e Jeff Gundlach são todos extremamente bem-sucedidos — e muito diferentes entre si. Encontre o seu próprio estilo e concentre-se nele. Funcionou para mim, e estou confiante de que esse é o caminho a seguir.
Boa sorte, e desejo a você um 2026 feliz e próspero.